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25 de maio de 2017

Velha, eu?

Foto: Pixabay

Hoje foi dia de arrumar o armário. Na última gaveta, lá estava ele: o vestido azul floral do meu noivado. Há muitos anos o meu vestido fica escondido no mesmo lugar, e se tem uma coisa que eu não consigo é me desapegar dele.

Mas há um lindo motivo para eu guardá-lo com tanto carinho, sabe qual? O meu noivado foi surpresa! Era um sábado de primavera, a família toda sabia, menos eu. Aliás, se eu soubesse, teria me arrumado muito mais. Porém, de repente, um simples vestido se tornou uma das peças mais importantes da minha vida.

Quando minha filha nasceu, a minha desculpa para não doar o vestido era esta: “Um dia minha filha irá usar”.

Ela fez 10, 20, 30 anos, e nunca tive a coragem de dar meu vestido de presente para ela. Na minha cabeça, minha filha iria pensar: “Que roupa de velha!”. Assim o tempo foi passando e o vestido continuou ali, praticamente esquecido na última gaveta do armário.

No entanto, hoje eu resolvi deixá-lo em cima da minha cama, e assim passei um bom tempo o admirando. Com isso, várias recordações surgiram. Lembro que eu sempre usava o cabelo meio preso. Olhei-me no espelho para fazer o mesmo penteado. Ao puxar o cabelo para trás, vários fios brancos insistiram em aparecer. Então eu comecei a reparar o passar do tempo no meu corpo. O vestido azul floral era do tempo em que eu não imaginava como seria ter fios grisalhos. Ou ter as rugas que agora fazem parte da minha face.

Escuto a campainha da minha casa tocar. Surpreendentemente, é a minha filha que veio me fazer uma visita. Ao olhar para o vestido em cima da cama, ela prontamente diz: “Mãe, que vestido lindo!”. Sim, o vestido que eu, pela minha idade, tinha vergonha de mostrar para a minha filha, hoje estava diante dos olhos dela, que brilhavam.

Eu apenas sorri. Mas dentro de mim era uma explosão de felicidade, pois um modesto vestido representava muito da história da minha vida. E mais do que isso: não ouvi da minha filha que era roupa de “gente velha”.

Anoiteceu. Minha filha foi embora. Fiquei novamente sozinha em casa. O vestido e eu. Porém, desta vez, não o coloquei de volta na gaveta, como de costume fazia nesses longos anos a cada arrumação. Resolvi experimentá-lo e, para a minha surpresa, ele ainda coube em mim!

No próximo mês faço 32 anos de casada. Já sei até a roupa que vou usar. Sim, ele mesmo, o meu vestido azul floral. Velha, eu? Que nada! Sempre é tempo de recomeçar.


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